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| Estávamos entrando em 1971 , a seleção brasileira de futebol havia ganho a Copa mundial no ano anterior , portanto o povo estava contente e a ditadura militar se encontrava literalmente com "a bola ". Neste ano reencontro um amigo na rua e ele me convidou para ir ao Círculo Militar em São Paulo local que frequentava todas as semanas onde rolava o som da época no salão de baile principal , até porque eu ainda estava ligado à estes eventos exatamente por causa da dança a qual eu exercia com relativa facilidade , por ter ritmo no corpo, por deleite, oportunidade de conquista feminina e o prazer sempre pela música. | ![]() |
Acontece que ali passei a ver e apreciar bons músicos , óbviamente na área Pop , que faziam cover dos sucessos internacionais quase que perfeitos como : o Memphis ( na bateria e vocal " Dudu França "que anos mais tarde se tornaria cantor de música brasileira popular , o Otavinho na pianola e vocal que mais tarde se tornaria produtor musical da Som Livre e também atuando como cantor internacional; " Pete Dunaway ") eram considerados uma das melhores Bandas da época, haviam também; o Kompha , o Watt 69 , o Lee Jackson (que cujos integrantes se tornaram mais tardes executivos de gravadoras multinacionais como ; a Sony - que na época ainda era Columbia, Polygram - chegando ao cargo de presidência ) , o Sunday ( que tinha entre os seus integrantes o baterista Norival, muito respeitado na época entre os músicos e que mais tarde integraria a banda do cantor Roberto Carlos onde se encontra até hoje , a cantora Vivian que mais tarde integraria o conjunto vocal Harmony Cats que ficou um bom tempo na Mídia da época ) , enfim e outras bandas que surgiam. Na realidade são muitas informações que temos em memória , que não cabem aqui. Conforme comentei anteriormente a ditadura militar, direta ou indiretamente estava favorecendo a entrada da música importada de tal forma que nós " curtidores " não aceitávamos nada que fosse brasileiro . A moda da Jovem Guarda havia passado. O som que vinha de fora predominava. Lógicamente que o Povo Brasileiro, ou seja as pessoas simples, continuavam com a sua cultura ouvindo música nacional. Apenas um segmento de público, tipo estudantes universitários, ouviam a então censurada MPB. Então, surgiu uma coisa curiosa ; praticamente quase todas as Bandas que tocavam neste local ( Círculo Militar) que eu frequentava , bem como outras e também cantores solos , gravavam em inglês e eram vendidos no mercado nacional como se fossem importados, porém, até então, não surgiam na TV, apenas eram tocados no rádio. No mesmo ano ( lá no Círculo) conhecemos ( eu e meu amigo ) um outro cara que também tinha banda e ensaiava de fim de semana na Vila Carrão que era no outro lado da cidade. Lá fomos nós um domingo à tarde de 1971. Quando chegamos perto já dava pra ouvir o som que vinha do fundo da garagem , então entramos e aí fiquei conhecendo aquele que viria a ser um dos mais respeitados guitarristas entre os músicos de São Paulo , o nosso velho brother, José Eduardo " Faiska " que só fui reencontrar 2 ou 3 anos depois já na Pompéia. Bem , na realidade 1971 e 72 foram anos bastante profícuos , muitos lançamentos de LPs importados que surgiam , novos conhecidos músicos , alguns se tornariam amigos pra sempre. Eu acho que foi em 1970 na porta da casa do Tibério baterista (aquele que citei anteriormente que criou as baterias " Luthier "conhecida nacionalmente ) que residia na mesma rua que a minha , quando me apresentou o Lee Marcucci que tocava nesta época com o Carlini , o Bororó ( ambos já citados ) ..etc .... mais tarde viria a tocar com a Rita Lee para o resto de sua vida e já frequentava a casa dos Mutantes. Nos anos 80 o Lee integraria também a Banda Pop " Rádio Taxi " ao lado de Wander Taffo , Gel Fernandes e Willy. Foi também no ano de 1970 que assisti o último filme dos Beatles no cinema , o famoso " Let it Be ". Bem , o "Tiba" ( Tibério ) queria armar uma Banda comigo , ele , o Lee ..etc.. que não rolou. Mas, na sequência rolou com outros caras e nós ensaiávamos na minha casa . Inclusive era o próprio Tiba que me mostrava discos de novas Bandas estrangeiras que saiam no mercado , entre elas me mostrou o " Grandfunk Railroad " LP " Close to Home ", que foi um dos mais famosos e influentes " power trios " da história do Rock , cujo som se fosse ouvido hoje em dia pela moçada roqueira tenho certeza que ficariam " chapados ". Mas também nesse ano eu frequentava a conhecida Rua Augusta, indo nas lojas; " Pôster Shop", Drugstore , Museu do Disco , Hi-Fi ( que cujo gerente era o Oswaldinho da Banda Made In Brazil e que mais tarde me convidaria a participar dela ) e principalmente no" Mondo Cane "que era tipo lanchonete a qual passávamos a tarde. Subíamos e descíamos a rua para paquerar e encontrar com amigos e aí que conheci caras como o baterista Duda Neves, o Kiko da Banda " Distorção Neurótica " que havia chegado de Londres e tinha visto o show do Deep Purple ( na época tal fato era inédito ) e nos contava episódios da viagem. Os irmãos Peticov também circulavam por ali. Foi quando conheci um cara chamado Roberto Piva que promovia shows de Rock. Ele cursava a Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo e já havia estudado não só alguns filósofos os quais influenciavam o seu pensamento, bem como outros autores tipo: poetas , dramaturgos , e, com certeza tinha mais cultura e conhecimento que nós que éramos mais novos , por conseguinte passou a ser uma espécie de mentor intelectual da moçada. A minha visão da música que até então era restrita ao som ,passou a se abrir e ter um conceito mais intelectualizado , porém ainda limitado pela minha cultura média ( nesta época concluía o 1º grau escolar ). Comecei a ler autores em várias áreas; política, sociologia, filosofia..etc... Eu também freqüentei neste período os bailinhos que rolavam no Clube Palmeiras e quem tocava era o " Made in Brazil " com o Cornélius no vocal ( que era considerado o melhor cantor cênico do Rock nacional ) e o Franklin Paolilo na batera ( que anos mais tarde viria a tocar e gravar com a Rita Lee alguns dos seus sucessos ) . Foi no final de 71 que assisti no cinema o filme, que influenciou não só o meu destino musical mas também de todos os músicos da minha geração bem como da realidade mundial que se transformava e tinha ali o seu prenúncio : o Woodstock , que, de certa forma, lançou para o mundo muitos artistas que até hoje possuem uma carreira artística, entre eles ; o guitarrista " Jimi Hendrix "( que faleceu em 70 ) e o cantor " Joe Cocker " que se eternizaram. No ano seguinte eu ainda assistiria os filmes " Monterey Pop " e " Altamont " dos Rolling Stones , que prenunciava uma outra da fase do conceito da música e da sociedade. Entre 1971 e 72 reencontrei colegas , como o " Zé Roberto " ( já citado ) e o " Jujuba " os quais havíamos jogado bola na rua nos anos 60. Porém agora , o Juba era baterista e respeitado entre os músicos e o " Zé " também estava tocando batera. Bem , foi aí que conheci dois caras que se tornaram amigos na música e referência como guitarristas: o Wander Taffo e o Mozart Mello que era na turma o mais respeitado. Ali era o seguinte: se o cara não fosse bom instrumentista ou seja, não tivesse um minimo de técnica, estaria condenado às vais da turma. Nesta época eu só sabia fazer base rítmica na guitarra ( condução rítmica ), fui logo debochado , para eles isso era pouco, mas tudo bem porque serviria como estímulo. Eu não solava porque não havia ainda adquirido conhecimento de escalas, etc.Ali acabou sendo uma "escola" para todos nós que ouvíamos todas as novidades importadas que o "Juba", conseguia através de uma amigo cujo pai morava nos EUA e mandava em primeira mão, pois naquela época demorava algum tempo pra chegar nas lojas os LPs estrangeiros importados e as gravadoras aqui os lançavam em edição nacional , com diferença de 2 ou 3 anos . Apesar de eu ser considerado um cara meio " bico " recém chegado no grupo que ainda não tinha conhecimento técnico musical apurado permitiam que eu participasse das audições , que eram basicamente das bandas de Rock: Uriah Heep , Led Zeppelin, Cactus , Vanila Fudge, Deep Purple , Bloodrock, Grandfunk Railroad , Edgar Winter e White Trash com os guitarristas: Johnny Winter , Rick Derringer e o cantor Jerry Lacroix ( disco de 1972 que até hoje considero um dos melhores do Rock dos anos 70 ), além do Rock Progressivo que já " comia solto " : Yes , E.L& Palmer , Gênesis , Gentle Giant .... Nesta época já estava surgindo o guitarrista John McLaughlin ( que se tornaria uma referência para mim a partir de 76 mais ou menos) com a sua Mahavishnu Orchestra , ....o tempo todo chegavam novidades . Então , lá na casa do Juba , ouvíamos as novidades na sala de som e depois todos desciam para o "porão" pra tocar , mas a premissa é que tinha que ser igual ao disco , ou seja, era cover mesmo , sem releitura. Isso acabava fazendo com que a percepção auditiva se tornasse cada vez mais apurada. Outros caras vinham de outros bairros ( entre eles estava aquele que mais tarde se tornaria o famoso cartunista Angeli que era roqueiro pra caramba ) para ver o som rolar solto , alguns tocavam, o resto assistia. Foi ali que conheci o nosso velho brother " Rodolfo Braga " que era baixista da Banda Hot Rock que depois passou a se chamar " Joelho de Porco " se tornando antológica do Rock Nacional e também viria a ser cunhado do já citado " Mozart Mello ". Ao mesmo tempo, conforme já disse, eu também andava com outros caras com outra visão da música, portanto, eu não tinha nenhuma " bandeira " definida. Foi nesta época que decidi realmente ser músico. Além de fazer aquelas" basisinhas" na guitarra também voltei a cantar e compor sem pretensões apenas exercitando a criatividade. Como eu era amigo do Pixinga e a gente se encontrava no alto do Sumaré ( perto da antiga TV Tupi onde hoje é a MTV ) e ficava tocando violão na rua , pintou a idéia de montar uma banda. O Pixinga sabia mais do que eu sobre guitarra. Em 1972 montamos o "Gelo Seco"; eu nos vocais , ele na guitarra , o Silvano Bellini ( que eu reencontraria 20 anos depois como proprietário do Hendrix Bar em Sampa ) no baixo , o Claudinho na outra guitarra ( que na época havia tirado todos os solos do Jimi Hendrix ) e seu irmão Geraldo na batera. Conseguimos abrir Shows para algumas Bandas como o Mona ( que tinha o Albino Infantozzi na batera e o Fabio Gasperini na guitarra que havia sido do Sunday já citado e mais tarde integraria a banda Magazine ao lado do roqueiro paulistano , DJ e VJ " Kid Vinil " ), a Banda Fush (trio) que também era respeitada entre os músicos ( Jujuba na batera já citado , Mozart Mello na guitarra também já citado e João Ascensão no baixo que mais tarde integraria o grupo Secos e Molhados na sua segunda formação ao lado de Wander Taffo e Gel Fernandes também já citados). Nesta época eu tinha um amigo que não era músico , mas totalmente ligado no som e como eu , também adorava cinema , então todo sabado íamos ao Cine Bijoux na praça Roosevelt assistir filmes dos grandes cineastas de arte da época como os italianos Federico Fellini , Pasolini; o francês que eu curtia muito Louis Bunuel , o sueco Ingmar Bergman, e filmes americanos de som , como o histórico "Easy Rider" de Peter Fonda e Dennis Hooper . Dividíamos o nosso sábado indo a 200 mts dali na Rua Caio Prado no Colégio Equipe que em seu pequeno teatro rolava shows tipo o " bruxo genial Hermeto Pascoal " e na seqüência passava algum filme de arte, tudo isso apresentado por um cara ( bastante cabeludo como alias todos nós éramos porém ele era também barbudo) que anos mais tarde se tornaria popular da TV Brasileira: o "Serginho Groissman" . Neste período me tornei amigo também de um cara que tocava baixo e mais tarde criaria a banda " Sossega Leão " ( que tinha como integrantes o Paulo Miklos e o Nando Reis que depois integrariam os " Titãs ") e que mais tarde ainda criaria a Banda Máfia ,o velho brother " Skowa " que ficou bom tempo fora do Brasil, onde se tornou amigo do cantor Jorge BenJor assinando mais tarde muitos arranjos de suas músicas Foi em agosto ou setembro de 72, que nos ( o Gelo Seco ) apresentamos no Teatro Oficina (do Zé Celso) onde rolava não só as peças teatrais mas também , shows de Rock nos fins de semana. Então , nós abrimos para a banda hoje legendária " Made in Brazil" ( já citada ) e acho que a platéia gostou. Bem , mais ou menos um mês depois o Oswaldinho Vecchione que é o principal fundador e criador da Banda ( há 34 anos - o Made foi fundado em 1967 ) mandou me chamar porque a vaga de cantor estava disponível ( o Cornélius havia saído da Banda, ele saia e voltava porque brigava , até então eu não sabia disso ). Em novembro de 1972 começamos os ensaios no tradicional local de todos os Domingos ; Rua Caraibas na Pompéia a mais ou menos 100 mts da casa dos Mutantes, que nesta época já tinham ido residir na Serra da Cantareira , e do Carlini que também era e é vizinho. Na verdade o Made não era respeitado entre os músicos , por não ser uma Banda com dotes técnicos e não possuir musicalidade, porém como sabemos no Rock básico o que vale é ter "raça", "sangue " e acima de tudo acreditar e ter uma vida Rock'n Roll. Começamos a preparar um Show que seria a reestréia do Made em um evento que reuniria várias Bandas no Ginásio do Ibirapuera ( São Paulo ) produzido pelo Eduardo Lemos da Transasom. Inclusive o Rafael Moreno que tinha sido baixista da Banda Detroit e mais tarde se tornou repórter da TV Bandeirantes, iria participar conosco do evento até por ser amigo do Oswaldo. Acontece que o Show não rolou e nesse meio de tempo o Cornélius voltou . Bem , o " posto "era dele desde o inicio além do que tinha um público que o acompanhava onde o Made tocasse, nada mais justo do que deixar o homem retornar ao seu legitimo lugar. Foi ai que o Oswaldo me ofereceu a função de 2ª guitarra , e backing vocal de vez em quando. Ele estava no baixo e o Celsão ( Celso Vecchione ) na 1ª guitarra ,o primeiro baixista ( o Alberto ) havia saído, na bateria ainda era o Franklin que depois foi substituído pelo Fenili que era percussionista , porque foi ( o Franklin) acompanhar o "Eduardo Araújo "cantor veterano da Jovem Guarda, marido de Silvinha Araújo também veterana e singular como cantora por ser muito competente na area do Soul ,do Funk,etc. Então , chegou o dia da estréia que foi no teatro do Masp no dia 1º de abril de 1973 num Domingo, na véspera dos meus 18 anos . Bem , lá estava eu acompanhando Cornélius que sem dúvida se tivesse nascido na Inglaterra ou nos EUA teria estourado no mundo, por sua mise- en-scène com plumas e paetês e seu porte vocal potente em uma época que o Glitter Rock estava surgindo : David Bowie , Gary Glitter,etc. O teatro tinha capacidade para 500 ou 600 pessoas , porém tinha no mínimo o dobro , talvez 1000 pessoas . Continuamos fazendo muitos shows em teatros e emissoras de TV ( basicamente Tupi e Record - a Globo ainda não era líder ) . O nosso empresário Mario Bonfiglio (o qual estava lançando em São Paulo vários artistas como Belchior , Raul Seixas , Ednardo...) junto à produção da Record criaram um Programa que ia ao ar aos Domingos à tarde, chamado " Papo Pop " o qual era apresentado pelo falecido " Big Boy " que vinha exclusivamente do Rio de Janeiro para apresentá -lo. A intenção do Mario era ressuscitar o movimento de música jovem através dos programas de TV os quais já havia criado e produzido anteriormente naquela e em outras emissoras. Então , muitas Bandas começaram a participar do programa , entre elas o então maior fenômeno da música Pop de todos os tempos surgiria , o grupo" Secos e Molhados" que vendeu entre agosto de 73 e dezembro , por volta de um milhão de cópias de disco pela então gravadora Continental , o que pra época era absolutamente inédito até porque tratava-se de uma Banda Pop maquiada e que cujo mercado não existia como passou a existir no começo dos anos 80 .Os Secos foram lançados pelo Mario junto a Moracy Duval outro empresário da época. No mesmo ano a emissora criou com o Walter Silva mais conhecido como " Pica Pau " (que nos anos 60 tinha um programa de rádio de sucesso) o programa " Mixturasom " que lançou a cantora , hoje conhecida Simone , nós o Made in Brazil , o Raul Seixas , o Belchior, Marco Pereira,etc. Na época a orientação do empresário era embarcar na onda da androginia que estava rolando, então nós (Made) e o Secos e Molhados , criamos um tipo de maquiagem que mais tarde foi copiada pela Banda Americana ( hoje tão famosa ) " Kiss " que mais tarde se soube através de entrevista de um dos seus integrantes que havia passado o Carnaval no Rio de Janeiro e teria assistido ao Show dos Secos ou do Made e voltou aos EUA com a idéia de fazer uma Banda de Rock com estas maquiagens ocultando a identidade.
[ O " Made " na realidade não tinha uma obra musical com apelo popular , o som era muito underground pra época , os " Secos " foi criado pelo " João Ricardo " ( com o qual trabalhei na segunda formação do grupo, anos mais tarde - 1978 ) que havia sido jornalista da Globo , filho de pai poeta e mãe jornalista da Bandeirantes . Foi feliz quando criou o conceito do grupo baseado principalmente em músicar letras de poetas brasileiros consagrados tipo Vinícius de Moraes, além do que contava com uma Banda de apoio com bons músicos, como Willy Verdaguer no baixo , etc., a época estava favorável para uma novidade desde que condizente com a realidade musical brasileira. Só pra lembrar : o " Made " existia desde 1967 e o "Secos" ao contrário , iniciou em 1972 , era desconhecido e ainda não tinha público cativo, porém se tornou um fenômeno de Mídia em apenas alguns meses, principalmente porque teve a sua frente o interprete " Ney Matogrosso " que após a dissolução da primeira formação do grupo em 1974 ou 75 seguiu carreira solo com sucesso . Entretanto, para o público underground do Rock de Sampa e de certa forma para uma pequena elite da época , o maior e único principalmente pelo seu mise- en-scène , porte vocal , enfim, ainda é o cantor Cornélius que fez sua história musical exclusivamente dentro do Made in Brazil nos anos 60 e 70 e que já não é mais profissional da música há muito tempo. ]
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No mesmo ano participamos de um Projeto em que cujo espaço cultural viria a ser o centro das explosões musicais nos anos 80, que foi o SESC Pompéia ( em Sampa ) a convite do seu então diretor que pretendia fazer dali um espaço de cultura principalmente musical , fizemos um show que rolou legal com boa recepção de público. Bem , nesta época eu ingenuamente ( com 18 anos ) acreditava que o sucesso na grande Mídia deveria ser a meta de um artista , isto abriria outras portas e principalmente conseguiria aquilo que nunca eu havia tido ; dinheiro e por conseguinte liberdade para viajar e conhecer o mundo. Naquele ano, "tomei um banho de água fria " quando os Secos estouraram , porque a expectativa era que o Made estourasse nas paradas , tendo em vista que o programa da Record era fechado todo Domingo conosco , porque até então era a Banda que tinha maior público, embora ainda não havia gravado o primeiro disco que foi no ano seguinte pela gravadora RCA Victor ( hoje seu catálogo pertence a Ariola ). O qual eu não participei porque em maio de 1974 alguns meses antes de entrarmos nos estúdios da RCA Victor onde, já havíamos feito uma fita piloto, na Rua Dna Veridiana no bairro Santa Cecília em Sampa , decidi sair da Banda e seguir meu estudo de violão clássico o qual já havia iniciado em 73. Ali iniciei um novo ciclo na minha vida , tive pela primeira vez um mestre "Oscar Magalhães Guerra" que havia ensinado e praticamente criado como seu próprio filho o grande violonista internacional "Geraldo Ribeiro" outro ex- aluno era " Pedro Bueno Cameron" . Ainda tinha como seu discípulo o violonista " Celso Machado " que muitos anos mais tarde viria a ser membro do Conselho Mundial de Violão em Paris ( França ). O velho Guerra já falecido, então, introduziu-me na música erudita , através de meu também falecido tio que era artista plástico seu então amigo e meu principal incentivador. Finalmente comecei a entender o processo da arte musical retomando-a desde 300 anos atrás , tocando peças de compositores como: J.S.Bach , W.A Mozart , Beethoven, Schubert , Schumann, e outros , obviamente que todos transcritos para o violão , bem como estudei os compositores tradicionais do instrumento como : D. Aguado, N. Coste, A. Cano, e outros que criaram os principais estudos para violão. Tudo isso baseado na escola de Tarrega e tendo por referência Andres Segovia e outros mais modernos ( na época ) , como Julian Bream, etc. Nesta mesma época tomei conhecimento também da escola Flamenca de violão , ouvindo violonistas como: Paco de Lucia, etc. Na verdade desde 1971 ou 72 eu já estava influenciado pelo Rock Progressivo das Bandas inglesas, como: o Gênesis, Gentle Giant , Emerson , Lake & Palmer , Focus ( que era Holandesa) , Premiata , Forneria , Marconi (que era italiana ) e principalmente pelo " Yes "que tinha Steve Howe na guitarra , que também tocava e ainda toca violão com técnica baseada na escola clássica , isto me inspirou de tal forma que decidi ser Violonista Clássico e ir morar na Europa porque aqui no Brasil não era e ainda não é possível sobreviver disso . Mas tinha que estudar muito ( para que isso se tornasse realidade ) ou seja, em média 12 horas por dia e assim fiz durante 4 ou 5 anos enquanto concluía o 2º grau à noite, porém sob pressão da família que nunca concordou com esta profissão , além do que esperavam que eu fizesse qualquer faculdade e exercesse afinal de contas uma profissão mais " digna e respeitável ", com a expectativa de reforço financeiro. O pior é que eu dependia financeiramente deles que não me davam " grana " por não contarem com recursos. Ainda em 1974 depois da saída do Made , cortei o cabelo que media até a metade das costas e descolei um trabalho através de uma prima , em um Banco na cidade como "continuo" , no qual fiquei uns meses , porque eu trabalhava de dia nele ( das 8:00 às 17:00 ) e à noite ia pra escola , ou seja, não dava pra estudar violão a não ser de fim de semana , que era absolutamente insuficiente para alguém que queria se tornar Violonista Clássico , ainda mais na Europa . Bem , resolvi que ia ficar duro e continuar a contrariar a velha . Continuei a estudar as 12 horas diárias. Foi um período o qual me introverti deixando de participar dos eventos sociais e culturais , restringindo minhas amizades e vivendo mais isolado. Meu assunto se tornou música Clássica e comecei a freqüentar esporadicamente recitais e concertos no teatro municipal e outras salas de música da cidade. Já não ouvia as novidades do Rock e do Pop americano e principalmente o inglês que encerrava um ciclo. Em 73 começava a surgir o Jazz- Rock nos EUA que só comecei a curtir mais tarde. No final de 1975 fui novamente convidado pelo Made para fazer uma turnê que seria Rio - Bahia ou seja , 12 dias no Terezão ( no teatro Tereza Raquel ) e mais alguns dias na concha acústica do teatro Castro Alves . O Tony " Babalu ", que havia me substituído em maio de 74 quando sai da Banda, não podia ir então, eu estaria substituindo o meu substituto. Lá fui eu pela primeira vez ao Rio tocar , achei super legal , afinal estava fora da ativa há quase 2 anos , retomar o palco , a estrada e sentir novamente o público do Made sempre cativo e fiel. Foi casa lotada todas as noites e artistas da TV Globo pintavam por ali. Num dos dias eu estava na lanchonete da galeria na qual situava-se o teatro e encontrei por acaso o guitarrista argentino "Cacho Valdez " que já conhecia de shows em Sampa, estava de passagem pelo Rio , embora não tivéssemos amizade trocamos algumas idéias, ele na época era muito respeitado entre os guitarristas. Enfim , esta temporada me marcou muito porque foi total sucesso de público além do que o grande " Zeca " ( o Ezequiel Neves ) se tornou um " Madete " ou seja , era fã numero um da Banda e inclusive foi conosco para a Bahia , até porque se encontrava hospedado em um hotel um guitarrista inglês o qual iria conceder uma entrevista ao Zeca , o famoso "Eric Clapton", que se encontrava com a sua esposa " Patti " que tinha sido esposa do " George Harrison " dos Beatles,...... Pô , que chique hein,..(?!) O Zeca acima de tudo era , e acredito que ainda seja ( não mais o vi ) , um cara de altíssimo astral , sempre super agradável e simpático , acho que no meio musical todo mundo gosta dele , não por acaso ele se tornou tão ligado a tantas bandas e artistas, como: a Rita Lee , o Barão Vermelho, etc... Nesta época o Made começa a ter mais evidência e certos caras como ele , o Nelson Motta , o Roberto de Carvalho , o Okky de Souza, etc. começaram a se aproximar. Foi neste período também que conheci aquele que se tornaria um velho amigo, o Eclis Damasceno que era guitarrista e compositor e que um dia tocou a campainha da minha casa me surpreendendo , dizendo que era nosso fã ( do Made ) e queria abrir contato comigo e toda a galera. Ele, anos mais tarde, seria músico da dupla "Luis Guedes ( que era primo do Beto Guedes ) e Thomas Roth que ficaram um tempo na Mídia, mais tarde ainda, veio a ser o "braço direito" como músico e parceiro nas músicas da cantora "Roberta Miranda".
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![]() | Bem , continuei fazendo mais alguns shows com o "Made" naquele ano aqui em Sampa e ABC ( que é periferia da cidade ). A última vez que toquei com eles , já era começo de 76 no programa da extinta TV Tupi de São Paulo ; " Halleluia " apresentado pelo cantor Silvio Brito e Fabio Júnior . Para minha surpresa este último demonstrou na época ser fã do Made ao entrar no camarim e revelar isto com os seus gestos e palavras. Eu até então não o conhecia , mas depois fiquei sabendo através do Rodolfo Braga ( já citado ) que tinham sido colegas de classe ( em 72 ) eles dois mais o Guilherme Arantes, na FAP em Sampa que cujo professor era o veterano , hoje nosso colega de ensino " Dinho Gonçalves " , que já nos anos 60 havia estudado na Berklee e tocado por la nos "states" ( EUA ) com o Airto Moreira e a Flora Purim....."Veja só como o mundo é grande e pequeno ao mesmo tempo - ainda mais no mundo da música, onde todos se conhecem ou são conhecidos de conhecidos. " |
Bom , eu tinha que seguir o meu caminho , o Made já pertencia ao passado, então continuei a estudar Violão Clássico, durante 12 horas diárias enquanto concluía o colegial à noite. Neste ano fui a um show dos Mutantes que já estava em fase decadente , no teatro Tuca da Puc, quando reencontrei o meu antigo amigo , Zé Roberto (já citado ) que não sabia que eu estava estudando Violão Clássico, ficou surpreso e contente ao mesmo tempo , porque era também aficcionado do violão tocado por Paco de Lucia que já tocava com John McLaughlin e Al Dimeola juntos formavam o trio de violão de Jazz Fusion mais famoso dos últimos 30 anos. Bem, aíi retomamos a casa do " Juba " onde comecei a freqüentar novamente ouvindo as novidades agora do Jazz Fusion ( Return to Forever , Weather Report , Mahavishnu Orchestra,.....). Então, reencontrei o Wander Taffo , o Faiska , o grande guitarrista Álvaro Gonçalves e outros que lá freqüentavam. Pensei em voltar a tocar guitarra pra valer, mas ainda não estava certo disso pois, o desejo pela Europa e a carreira de Violonista Erudito ainda perduravam. Em 1977 terminei o colegial e tentei fazer o vestibular da Fuvest para Sociologia ou História porque seriam opções se por acaso ficasse por aqui desempregado e " duro " como a maioria de nós músicos. Bem não entrei e segui mais um pouco com o Violão Clássico. Porém continuavam as pressões contrárias por parte da familia porque agora eu só estava estudando e não tinha "grana" e nem perspectiva, porque nada acontecia, no sentido de surgir um trabalho na música que fosse rentável. Ao mesmo tempo eu me encontrava meio deprimido porque havia evoluído muito tecnicamente mas não auditivamente. A minha percepção melódica se encontrava estagnada. Precisava voltar a tocar de ouvido , pois os últimos anos tinham sido em cima de partituras, pois no violão clássico não faz parte da metodologia tocar de ouvido e muito menos improvisar , exatamente ao contrário da guitarra , que costuma-se pegar tudo de ouvido e principalmente improvisação. Bem , eu comecei a ficar desnorteado , com falta de grana , sem apoio , sem perspectiva de uma carreira artística. Ainda assim , pintaram uns canários ( cantores ) para eu acompanhar, tinham alguns programas de TV e shows , mas eu não curti o cachet baixo sem contar que era som " brega " embora estivesse na Mídia.
[ Eu acho que tem que pintar um astral legal entre os músicos e o cantor senão o som não rola, infelizmente nem sempre isso acontece , e o músico acaba tendo que encarar o " negócio " só para sobreviver.] Eu havia conhecido também o grande guitarrista Antenor Gandra que anos antes ( em 71 ou 72 ) tinha tocado com o baterista Serginho Delamônica na Banda Kapta e que era conhecida e respeitada entre os músicos do Rock . Ele ainda morava no alto do Sumaré perto da extinta Tupi ( hoje MTV ) então fui pedir uns toques de guitarra pra ele , mas ele não dava aula e era uma cara super educado que me recebeu muito bem. O Antenor fez uma carreira artística nos bastidores da TV e do Rádio , gravando jingles publicitários veiculados nas respectivas Mídias e participou também da orquestra da TV Tupi e outras. Bem , no final de 78 eu decidi dar um tempo em tudo porque estava " pirando " com esta "estória" de ter que sobreviver , ter que ganhar dinheiro... Pensei em fazer publicidade que na época era um mercado seguro para alguém que desejava retaguarda financeira, mas tinha que fazer um curso e tentar um emprego em alguma agência de propaganda, não rolou é claro , eu não tinha grana para pagar o curso. Então, resolvi descolar um trabalho remunerado de preferência relacionado à música a qual já tinha entregue a minha vida embora sem retorno. Consegui um emprego em uma empresa que fazia rádio escuta , ou seja , tudo que tocava nas emissoras de Rádio ( músicas ) e TV ( fundo de propaganda ) de todo o País eram ouvidos com o fim de pagar os direitos autorais dos respectivos autores. O dinheiro sempre foi arrecadado e distribuído pelo Ecad que com base na nossa escuta pagava os respectivos autores. O dono da empresa era o Yaccoff Sarkovas o qual muitos anos mais tarde se tornou produtor cultural ao lado da antiga atriz Ruth Escobar. A empresa também prestava serviço para as Gravadoras ( indústrias fonográficas ) e emissoras de Rádio , as quais conferiam os dados através do nosso trabalho , que chamavam de " tapetão ". Lá fiquei por 3 anos , o ambiente era basicamente de músicos ou de gente relacionada à música. Conheci muitas pessoas que se tornaram amigos , como por exemplo a Celi que havia se casado com o dono da Embrashow ( Hélio Rodrigues ) que é uma das principais e mais antigas produtoras artísticas do País e anos mais tarde ela própria assumiria a direção . Bem , esta minha passagem pela empresa fez com que eu conhecesse praticamente todos os catálogos de gravadoras e todo o " universo " da música tocada em Rádio não só comerciais mas também as culturais.. Passei a ter uma outra visão do mundo da música. No último ano que lá trabalhei fui convidado a ser o relações públicas da empresa. Foi quando tive que ir pra rua visitar diariamente as emissoras de Rádio e as Gravadoras, colhia os dados necessários ao nosso trabalho e em contrapartida fornecia as informações aos "clientes". Passei a conhecer a mentalidade dos homens da indústria fonográfica brasileira, o que sabem realmente de música , qual o seu entendimento, etc. Apesar do meu contato mais freqüente ser com os divulgadores , eu também conversava com os chefes de depto. Ganhava discos ( naquele tempo ainda era vinil ) todo mês levava alguns para a empresa e outros ficavam pra mim , afinal eram lançamentos que ainda iriam para o mercado. Valeu a experiência , mas eu precisava continuar tocando que era a única coisa que realmente fazia a minha cabeça , eu só precisava poder sobreviver , ou seja , tocar e ganhar que era impossível , porque se ganhava muito mal , quando havia cachet. Então, no final de 1980 eu já estava saindo da empresa quando pintou um trabalho para fazer com a Rita Lee , como assistente de palco a convite de Wander Taffo ( já citado ) que era amigo velho. O cachet era bom e eu topei , na época a Rita estava no auge , com música rolando na novela da Globo no horário de pico de audiência Os músicos eram o Wander na guitarra , o Lee no baixo ( já citado ) o Gel Fernandes na batera ( já citado ) o Willy no Backing vocal ( já citado ) . Estes 4 caras em 1982 formariam o grupo Pop "Rádio Taxi " estourando na Mídia. A banda da Rita era grande tinha ainda o seu marido Roberto de Carvalho ( que já conhecia do tempo do Made por ser amigo do Zeca , história que já contei lá atrás ) , tinha ainda uma sessão de sopro com o Boccato ( Trombone ), Nono ( trumpete), Bangla ( Sax),etc... Bem , foram muitos shows pelo Brasil , estava tudo bem , mas eu precisava voltar a tocar e seguir em frente a minha carreira. Lembro -me que foi neste período ( entre 79 e 80 ) que pintou em Sampa uma espécie de novo movimento musical . Um cara que se destacou foi o " Arrigo Barnabé " que tinha uma proposta musical interessante, muito embora utiliza-se elementos técnicos já comuns aos compositores Contemporâneos da música mundial. A baterista do Arrigo era o Duda Neves ( aquele que já conhecia nos anos 70, que narrei lá atrás...). |